Setor de serviços cresce 1,2% em abril e registra primeira alta em seis meses: o que impulsionou e o que vem por aí
Economia

Setor de serviços cresce 1,2% em abril e registra primeira alta em seis meses: o que impulsionou e o que vem por aí

Redação Infinity12 de junho de 20263 min de leitura

Serviços aumentam 1,2% em abril, revertendo a queda de meio ano. Saiba quais segmentos puxaram o resultado e as projeções para os próximos meses.

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Março de 2024 ainda era cinza, abril trouxe luz

Depois de cinco meses consecutivos de retração, o setor de serviços brasileiro registrou, em abril, um crescimento de 1,2 % em relação a março. É a primeira alta em seis meses e o dado vem do IBGE (Pesquisa Mensal de Serviços). Embora o número ainda esteja abaixo da taxa de crescimento média dos últimos dois anos (cerca de 2,5 % ao mês), ele sinaliza que a economia está encontrando pontos de apoio.

O que puxou esse resultado?

A alta não foi homogênea. Alguns subsegmentos se destacaram e foram os responsáveis por mudar a balança:

  • Comércio varejista não alimentício: +2,1 %
    O retorno da confiança do consumidor, impulsionado por promoções de primavera e a estabilização dos preços de combustíveis, ajudou a reverter a queda de março.
  • Serviços de informação e comunicação: +3,4 %
    O segmento de streaming, telecom e serviços de nuvem continua em alta, beneficiado pela migração de empresas para o modelo híbrido de trabalho.
  • Hospedagem e alimentação: +1,8 %
    O turismo interno ganhou força com a alta de voos domésticos e a temporada de férias escolares, apesar da preocupação com a inflação de alimentos.
  • Transporte, armazenagem e correios: +0,9 %
    A retomada das exportações de commodities e o aumento do volume de e‑commerce mantiveram o ritmo de movimentação de cargas.

Já ficaram em baixa: Serviços de saúde e assistência social registrou queda de 0,4 %, refletindo a suspensão de campanhas de vacinação de rotina e a sobrecarga de hospitais.

Principais fatores que sustentam a alta

  1. Estabilidade cambial: O real se manteve dentro de uma faixa estreita nos últimos 30 dias, reduzindo a incerteza para importadores e exportadores de serviços.
  2. Política de juros: A Selic, mantida em 13,75 % ao ano, trouxe previsibilidade para investimentos de médio prazo, especialmente em tecnologia.
  3. Ajuste de salários: O acordo salarial entre sindicatos e empresas resultou em reajustes medianos de 4,7 % em 12 meses, elevando o poder de compra da classe média.
  4. Descontos e crédito barato: Bancos ampliaram linhas de crédito com taxas menores para pequenos varejistas, o que refletiu diretamente nas vendas do segmento.

O que esperar nos próximos meses?

1. Continuidade da alta no varejo

A tendência é de manutenção do ritmo, principalmente nos canais online. A expectativa de novos descontos de fim de estação (outubro) deve gerar um pico de vendas.

2. Pressão inflacionária nos alimentos

Mesmo com a desaceleração da alta dos preços de commodities, a inflação de alimentos ainda traz risco de redução do consumo em restaurantes e bares.

3. Expansão do setor de tecnologia

Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em fase de consolidação, empresas de segurança da informação e cloud computing deverão registrar crescimento acima da média.

4. Cuidado com a política monetária

Se o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir por novo aumento da Selic, o crédito pode encarecer e frear a expansão dos serviços mais sensíveis a juros, como construção civil e financiamento de veículos.

Cenário de risco

  • Instabilidade política: Qualquer crise institucional pode abalar a confiança do consumidor e dos investidores.
  • Choques externos: Uma elevação abrupta do preço do petróleo ou restrições comerciais podem impactar diretamente o setor de transportes e logística.

Conclusão

O crescimento de 1,2 % em abril mostrou que o setor de serviços ainda tem fôlego para se recuperar, mas o caminho não está livre de obstáculos. A combinação de estabilidade cambial, política de juros previsível e crédito acessível foi decisiva para a alta, enquanto a inflação de alimentos e possíveis mudanças na taxa Selic permanecem como variáveis de atenção.

Se as condições atuais se mantiverem, podemos esperar mais dois ou três meses de expansão moderada antes que um novo ciclo de ajuste econômico se impõe. Fique de olho nos indicadores de confiança do consumidor e nas decisões do Copom – são eles que vão definir se a recuperação ganha tração ou volta a recuar.


Este artigo foi preparado pela equipe de notícias do Infinity Content, baseada em dados do IBGE, Banco Central e análises de mercado.

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Redação Infinity

Equipe da rede Infinity Content.

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